Guias e Checklists
9 min
11 de set. de 2026
Como contratar um levantamento por laser scanner 3D

Daniel Argollo
Arquiteto e especialista em captura da realidade

Quando um levantamento por laser scanner termina mal, quase nunca é por falha do equipamento. Termina mal porque as duas partes combinaram coisas diferentes sobre o que seria capturado, com que tolerância e em que formato. Este guia reúne as decisões que precisam estar fechadas antes da mobilização.
O scanner mede distância pelo tempo que o feixe leva para sair do emissor, refletir em uma superfície e retornar ao sensor. Disso decorre a limitação mais importante da tecnologia, e a mais subestimada na contratação: o levantamento registra exatamente o que estaria visível para quem estivesse parado no lugar do equipamento.
O que está embutido não é capturado. O scanner não identifica se há um pilar dentro da alvenaria, não segue o caminho de uma tubulação embutida nem informa a espessura de uma laje com o forro fechado. Uma viga aparente é registrada com fidelidade milimétrica; a mesma viga revestida em gesso acartonado não existe na nuvem.
O que está obstruído gera sombra. Mobiliário encostado na parede, equipamentos, estoque e vegetação produzem regiões sem dado. Não é defeito do levantamento, é consequência física do método. Por isso a desobstrução dos ambientes precisa ser obrigação contratual de alguém, com prazo definido, e não uma gentileza que se resolve no dia.
O que está acima do forro exige acesso. Documentar entreforro, estrutura de cobertura ou traçado de climatização significa remover trechos de forro, abrir alçapões ou liberar áreas técnicas. É serviço adicional, com custo e risco próprios, e precisa constar do escopo de forma explícita.
A pergunta que evita o problema: o levantamento precisa documentar apenas o que está aparente, ou existem elementos ocultos que o projeto vai exigir? Se existem, quem executa a prospecção, e quando?
Terrestre, SLAM ou aéreo: o critério é a tolerância
Não existe tecnologia melhor em abstrato. Existe a tecnologia compatível com a tolerância que o projeto vai exigir, com o prazo disponível e com as condições de acesso.
A estação terrestre é posicionada sobre tripé e registra cada ponto de vista parada. É o método de maior acurácia, na faixa de poucos milímetros por estação. Cada estação leva de dois a poucos minutos, e a duração total do trabalho depende do número de posições necessárias, que responde à compartimentação do espaço e não à área. Mil metros quadrados de galpão vazio e mil metros quadrados de andar clínico ocupado não são o mesmo serviço.
O sistema SLAM constrói a nuvem enquanto o operador caminha. Cobre áreas extensas em uma fração do tempo, com acurácia relativa tipicamente na casa do centímetro. Serve para inventário, verificação de layout, circulações e janelas de acesso curtas. Não serve quando o projeto exige controle dimensional fino, como interfaces de montagem, pré-fabricados ou esquadrias sob medida.
O aerolevantamento com LiDAR resolve o que o equipamento terrestre não alcança: coberturas, telhados, terreno e entorno. A acurácia depende do plano de voo e do apoio de campo, e a integração com o levantamento interno precisa ser planejada desde o início, não improvisada depois.
Em trabalhos de porte relevante, a resposta raramente é escolher uma tecnologia. É combinar duas e amarrá-las em um único sistema de coordenadas: terrestre no interior, aéreo na cobertura e no entorno, com pontos de apoio que garantam que as duas partes fechem.

A distância entre a nuvem e o modelo
Este é o ponto que mais gera conflito em contratos de scan to BIM, e o mais fácil de resolver quando tratado antes.
A nuvem registra a realidade com todos os seus defeitos: paredes com barriga, pisos com caimento, pilares fora de prumo, vãos que variam alguns centímetros do topo à base. O modelo BIM trabalha com elementos paramétricos regulares. Uma parede com quatro centímetros de desaprumo em três metros de altura será modelada perfeitamente vertical, a menos que se contrate explicitamente a representação da deformação.
Isso não é limitação do modelador. É característica do BIM. O que precisa estar contratado é o critério: qual o desvio máximo admitido entre modelo e nuvem, o que acontece quando a deformação real ultrapassa esse limite, que elementos entram no modelo e com que nível de detalhe, e que informação não geométrica cada elemento precisa carregar.
Definir isso por escrito, elemento a elemento, é o que separa um contrato de modelagem que termina em aceite de um que termina em rodadas de revisão sem critério de parada. É também o assunto do artigo sobre LOD 200 e LOD 300, que trata de como transformar essa expectativa em matriz verificável.
Antes disso, porém, vem uma escolha anterior: se o que o projeto precisa é a nuvem registrada, a documentação 2D ou o modelo BIM. Contratar apenas o escaneamento sem ter quem manipule nuvem produz um arquivo pesado que ninguém abre, e é uma das formas mais comuns de desperdiçar um bom levantamento. A diferença entre registrar o existente e documentar o executado está detalhada em as-is ou as-built.

O que define prazo e preço
Um levantamento pode ser entregue em coordenadas locais, arbitradas para aquele trabalho, ou amarrado a um sistema de referência oficial, como SIRGAS 2000 com projeção UTM.
Georreferenciar exige planejamento: implantação e rastreio de pontos de apoio por GNSS, definição do sistema, tratamento da diferença entre coordenada projetada e distância real de obra. Parte do trabalho é executada em campo, junto com o escaneamento, e por isso precisa ser decidida antes da mobilização. Amarrar depois costuma significar voltar ao local, e sai mais caro do que teria sido fazer de início.
O esforço se justifica quando o levantamento será integrado a topografia, infraestrutura ou base cartográfica; quando o trabalho será executado em campanhas separadas por meses e as partes precisarão se encaixar; quando a área é extensa e a nuvem precisará ser fracionada em blocos; quando houver combinação de terrestre com aerolevantamento; ou quando o modelo alimentará gestão de ativos.
As condições de campo pertencem ao mesmo grupo de decisões. Horário de acesso, necessidade de acompanhamento, áreas restritas, exigências de segurança, energia disponível e responsabilidade pela desobstrução prévia não são detalhes operacionais: são premissas de prazo e de preço. Equipe mobilizada e ambiente ocupado é a forma mais cara de perder um dia de campo.
Como o preço é formado
A composição de custo se organiza em três blocos, e entender isso ajuda a comparar propostas que parecem diferentes apenas no número final.
Mobilização. Deslocamento de equipe e equipamento, hospedagem, diárias, seguro. É custo praticamente fixo por campanha, e por isso trabalhos pequenos e distantes têm custo por metro quadrado desproporcionalmente alto. É também o motivo de existir valor mínimo de contratação.
Levantamento em campo. Medido em dias de equipe, não em metros quadrados. A produtividade responde ao número de estações necessárias, que depende da compartimentação, do pé-direito, do nível de obstrução e da janela de acesso disponível.
Escritório. Registro e limpeza da nuvem, desenho ou modelagem, produção da documentação. É a parcela que mais varia, porque responde diretamente ao nível de detalhe contratado.
O que encarece, em ordem de impacto: ambientes muito compartimentados; execução noturna ou em janelas curtas; necessidade de acompanhamento permanente; alto nível de obstrução; detalhamento fino no modelo; prospecção de elementos ocultos; e prazo comprimido, que obriga a alocar mais de uma equipe simultaneamente.
Uma proposta que não responde aos pontos abaixo está transferindo risco para a execução, onde ele custa mais caro:
delimitação física do escopo, com o que fica de fora declarado;
elementos ocultos: o que será prospectado, por quem, e o que será registrado como não levantado;
tecnologia, acurácia pretendida e como ela será verificada;
entregáveis, formato e versão de software (modelo salvo em versão superior à do cliente não abre);
matriz de escopo de modelagem, com nível de detalhe e tolerância em relação à nuvem;
sistema de coordenadas e nível de referência;
condições de acesso e responsabilidade pela liberação dos ambientes;
prazos separados por etapa, campo e escritório;
critério de aceite e número de rodadas de revisão incluídas;
relatório de registro da nuvem, com os erros obtidos, que é o que permite auditar a qualidade do trabalho.
Escanear é a parte mais visível do processo e, tecnicamente, a mais simples. O que determina se o investimento vira projeto é o que acontece depois: como a nuvem é registrada, com que critério é interpretada, como vira documentação e como essa documentação chega ao ambiente em que o projeto será desenvolvido.
Por isso a conversa de contratação precisa começar pelo fim. Não por qual equipamento será usado, mas por qual decisão de projeto vai depender daquele dado.
Tem um levantamento para contratar e ainda não fechou esses pontos? Solicite uma conversa técnica de 30 minutos. Quem responde é um arquiteto.
O que o laser registra, e o que não registra
Terrestre, SLAM ou aéreo: o critério é a tolerância
A distância entre a nuvem e o modelo
O que define prazo e preço
Guias e Checklists
9 min
11 de set. de 2026
Como contratar um levantamento por laser scanner 3D

Daniel Argollo
Arquiteto e especialista em captura da realidade

Quando um levantamento por laser scanner termina mal, quase nunca é por falha do equipamento. Termina mal porque as duas partes combinaram coisas diferentes sobre o que seria capturado, com que tolerância e em que formato. Este guia reúne as decisões que precisam estar fechadas antes da mobilização.
O scanner mede distância pelo tempo que o feixe leva para sair do emissor, refletir em uma superfície e retornar ao sensor. Disso decorre a limitação mais importante da tecnologia, e a mais subestimada na contratação: o levantamento registra exatamente o que estaria visível para quem estivesse parado no lugar do equipamento.
O que está embutido não é capturado. O scanner não identifica se há um pilar dentro da alvenaria, não segue o caminho de uma tubulação embutida nem informa a espessura de uma laje com o forro fechado. Uma viga aparente é registrada com fidelidade milimétrica; a mesma viga revestida em gesso acartonado não existe na nuvem.
O que está obstruído gera sombra. Mobiliário encostado na parede, equipamentos, estoque e vegetação produzem regiões sem dado. Não é defeito do levantamento, é consequência física do método. Por isso a desobstrução dos ambientes precisa ser obrigação contratual de alguém, com prazo definido, e não uma gentileza que se resolve no dia.
O que está acima do forro exige acesso. Documentar entreforro, estrutura de cobertura ou traçado de climatização significa remover trechos de forro, abrir alçapões ou liberar áreas técnicas. É serviço adicional, com custo e risco próprios, e precisa constar do escopo de forma explícita.
A pergunta que evita o problema: o levantamento precisa documentar apenas o que está aparente, ou existem elementos ocultos que o projeto vai exigir? Se existem, quem executa a prospecção, e quando?
Terrestre, SLAM ou aéreo: o critério é a tolerância
Não existe tecnologia melhor em abstrato. Existe a tecnologia compatível com a tolerância que o projeto vai exigir, com o prazo disponível e com as condições de acesso.
A estação terrestre é posicionada sobre tripé e registra cada ponto de vista parada. É o método de maior acurácia, na faixa de poucos milímetros por estação. Cada estação leva de dois a poucos minutos, e a duração total do trabalho depende do número de posições necessárias, que responde à compartimentação do espaço e não à área. Mil metros quadrados de galpão vazio e mil metros quadrados de andar clínico ocupado não são o mesmo serviço.
O sistema SLAM constrói a nuvem enquanto o operador caminha. Cobre áreas extensas em uma fração do tempo, com acurácia relativa tipicamente na casa do centímetro. Serve para inventário, verificação de layout, circulações e janelas de acesso curtas. Não serve quando o projeto exige controle dimensional fino, como interfaces de montagem, pré-fabricados ou esquadrias sob medida.
O aerolevantamento com LiDAR resolve o que o equipamento terrestre não alcança: coberturas, telhados, terreno e entorno. A acurácia depende do plano de voo e do apoio de campo, e a integração com o levantamento interno precisa ser planejada desde o início, não improvisada depois.
Em trabalhos de porte relevante, a resposta raramente é escolher uma tecnologia. É combinar duas e amarrá-las em um único sistema de coordenadas: terrestre no interior, aéreo na cobertura e no entorno, com pontos de apoio que garantam que as duas partes fechem.

A distância entre a nuvem e o modelo
Este é o ponto que mais gera conflito em contratos de scan to BIM, e o mais fácil de resolver quando tratado antes.
A nuvem registra a realidade com todos os seus defeitos: paredes com barriga, pisos com caimento, pilares fora de prumo, vãos que variam alguns centímetros do topo à base. O modelo BIM trabalha com elementos paramétricos regulares. Uma parede com quatro centímetros de desaprumo em três metros de altura será modelada perfeitamente vertical, a menos que se contrate explicitamente a representação da deformação.
Isso não é limitação do modelador. É característica do BIM. O que precisa estar contratado é o critério: qual o desvio máximo admitido entre modelo e nuvem, o que acontece quando a deformação real ultrapassa esse limite, que elementos entram no modelo e com que nível de detalhe, e que informação não geométrica cada elemento precisa carregar.
Definir isso por escrito, elemento a elemento, é o que separa um contrato de modelagem que termina em aceite de um que termina em rodadas de revisão sem critério de parada. É também o assunto do artigo sobre LOD 200 e LOD 300, que trata de como transformar essa expectativa em matriz verificável.
Antes disso, porém, vem uma escolha anterior: se o que o projeto precisa é a nuvem registrada, a documentação 2D ou o modelo BIM. Contratar apenas o escaneamento sem ter quem manipule nuvem produz um arquivo pesado que ninguém abre, e é uma das formas mais comuns de desperdiçar um bom levantamento. A diferença entre registrar o existente e documentar o executado está detalhada em as-is ou as-built.

O que define prazo e preço
Um levantamento pode ser entregue em coordenadas locais, arbitradas para aquele trabalho, ou amarrado a um sistema de referência oficial, como SIRGAS 2000 com projeção UTM.
Georreferenciar exige planejamento: implantação e rastreio de pontos de apoio por GNSS, definição do sistema, tratamento da diferença entre coordenada projetada e distância real de obra. Parte do trabalho é executada em campo, junto com o escaneamento, e por isso precisa ser decidida antes da mobilização. Amarrar depois costuma significar voltar ao local, e sai mais caro do que teria sido fazer de início.
O esforço se justifica quando o levantamento será integrado a topografia, infraestrutura ou base cartográfica; quando o trabalho será executado em campanhas separadas por meses e as partes precisarão se encaixar; quando a área é extensa e a nuvem precisará ser fracionada em blocos; quando houver combinação de terrestre com aerolevantamento; ou quando o modelo alimentará gestão de ativos.
As condições de campo pertencem ao mesmo grupo de decisões. Horário de acesso, necessidade de acompanhamento, áreas restritas, exigências de segurança, energia disponível e responsabilidade pela desobstrução prévia não são detalhes operacionais: são premissas de prazo e de preço. Equipe mobilizada e ambiente ocupado é a forma mais cara de perder um dia de campo.
Como o preço é formado
A composição de custo se organiza em três blocos, e entender isso ajuda a comparar propostas que parecem diferentes apenas no número final.
Mobilização. Deslocamento de equipe e equipamento, hospedagem, diárias, seguro. É custo praticamente fixo por campanha, e por isso trabalhos pequenos e distantes têm custo por metro quadrado desproporcionalmente alto. É também o motivo de existir valor mínimo de contratação.
Levantamento em campo. Medido em dias de equipe, não em metros quadrados. A produtividade responde ao número de estações necessárias, que depende da compartimentação, do pé-direito, do nível de obstrução e da janela de acesso disponível.
Escritório. Registro e limpeza da nuvem, desenho ou modelagem, produção da documentação. É a parcela que mais varia, porque responde diretamente ao nível de detalhe contratado.
O que encarece, em ordem de impacto: ambientes muito compartimentados; execução noturna ou em janelas curtas; necessidade de acompanhamento permanente; alto nível de obstrução; detalhamento fino no modelo; prospecção de elementos ocultos; e prazo comprimido, que obriga a alocar mais de uma equipe simultaneamente.
Uma proposta que não responde aos pontos abaixo está transferindo risco para a execução, onde ele custa mais caro:
delimitação física do escopo, com o que fica de fora declarado;
elementos ocultos: o que será prospectado, por quem, e o que será registrado como não levantado;
tecnologia, acurácia pretendida e como ela será verificada;
entregáveis, formato e versão de software (modelo salvo em versão superior à do cliente não abre);
matriz de escopo de modelagem, com nível de detalhe e tolerância em relação à nuvem;
sistema de coordenadas e nível de referência;
condições de acesso e responsabilidade pela liberação dos ambientes;
prazos separados por etapa, campo e escritório;
critério de aceite e número de rodadas de revisão incluídas;
relatório de registro da nuvem, com os erros obtidos, que é o que permite auditar a qualidade do trabalho.
Escanear é a parte mais visível do processo e, tecnicamente, a mais simples. O que determina se o investimento vira projeto é o que acontece depois: como a nuvem é registrada, com que critério é interpretada, como vira documentação e como essa documentação chega ao ambiente em que o projeto será desenvolvido.
Por isso a conversa de contratação precisa começar pelo fim. Não por qual equipamento será usado, mas por qual decisão de projeto vai depender daquele dado.
Tem um levantamento para contratar e ainda não fechou esses pontos? Solicite uma conversa técnica de 30 minutos. Quem responde é um arquiteto.
O que o laser registra, e o que não registra
Terrestre, SLAM ou aéreo: o critério é a tolerância
A distância entre a nuvem e o modelo
O que define prazo e preço
Guias e Checklists
9 min
11 de set. de 2026
Como contratar um levantamento por laser scanner 3D

Daniel Argollo
Arquiteto e especialista em captura da realidade

Quando um levantamento por laser scanner termina mal, quase nunca é por falha do equipamento. Termina mal porque as duas partes combinaram coisas diferentes sobre o que seria capturado, com que tolerância e em que formato. Este guia reúne as decisões que precisam estar fechadas antes da mobilização.
O scanner mede distância pelo tempo que o feixe leva para sair do emissor, refletir em uma superfície e retornar ao sensor. Disso decorre a limitação mais importante da tecnologia, e a mais subestimada na contratação: o levantamento registra exatamente o que estaria visível para quem estivesse parado no lugar do equipamento.
O que está embutido não é capturado. O scanner não identifica se há um pilar dentro da alvenaria, não segue o caminho de uma tubulação embutida nem informa a espessura de uma laje com o forro fechado. Uma viga aparente é registrada com fidelidade milimétrica; a mesma viga revestida em gesso acartonado não existe na nuvem.
O que está obstruído gera sombra. Mobiliário encostado na parede, equipamentos, estoque e vegetação produzem regiões sem dado. Não é defeito do levantamento, é consequência física do método. Por isso a desobstrução dos ambientes precisa ser obrigação contratual de alguém, com prazo definido, e não uma gentileza que se resolve no dia.
O que está acima do forro exige acesso. Documentar entreforro, estrutura de cobertura ou traçado de climatização significa remover trechos de forro, abrir alçapões ou liberar áreas técnicas. É serviço adicional, com custo e risco próprios, e precisa constar do escopo de forma explícita.
A pergunta que evita o problema: o levantamento precisa documentar apenas o que está aparente, ou existem elementos ocultos que o projeto vai exigir? Se existem, quem executa a prospecção, e quando?
Terrestre, SLAM ou aéreo: o critério é a tolerância
Não existe tecnologia melhor em abstrato. Existe a tecnologia compatível com a tolerância que o projeto vai exigir, com o prazo disponível e com as condições de acesso.
A estação terrestre é posicionada sobre tripé e registra cada ponto de vista parada. É o método de maior acurácia, na faixa de poucos milímetros por estação. Cada estação leva de dois a poucos minutos, e a duração total do trabalho depende do número de posições necessárias, que responde à compartimentação do espaço e não à área. Mil metros quadrados de galpão vazio e mil metros quadrados de andar clínico ocupado não são o mesmo serviço.
O sistema SLAM constrói a nuvem enquanto o operador caminha. Cobre áreas extensas em uma fração do tempo, com acurácia relativa tipicamente na casa do centímetro. Serve para inventário, verificação de layout, circulações e janelas de acesso curtas. Não serve quando o projeto exige controle dimensional fino, como interfaces de montagem, pré-fabricados ou esquadrias sob medida.
O aerolevantamento com LiDAR resolve o que o equipamento terrestre não alcança: coberturas, telhados, terreno e entorno. A acurácia depende do plano de voo e do apoio de campo, e a integração com o levantamento interno precisa ser planejada desde o início, não improvisada depois.
Em trabalhos de porte relevante, a resposta raramente é escolher uma tecnologia. É combinar duas e amarrá-las em um único sistema de coordenadas: terrestre no interior, aéreo na cobertura e no entorno, com pontos de apoio que garantam que as duas partes fechem.

A distância entre a nuvem e o modelo
Este é o ponto que mais gera conflito em contratos de scan to BIM, e o mais fácil de resolver quando tratado antes.
A nuvem registra a realidade com todos os seus defeitos: paredes com barriga, pisos com caimento, pilares fora de prumo, vãos que variam alguns centímetros do topo à base. O modelo BIM trabalha com elementos paramétricos regulares. Uma parede com quatro centímetros de desaprumo em três metros de altura será modelada perfeitamente vertical, a menos que se contrate explicitamente a representação da deformação.
Isso não é limitação do modelador. É característica do BIM. O que precisa estar contratado é o critério: qual o desvio máximo admitido entre modelo e nuvem, o que acontece quando a deformação real ultrapassa esse limite, que elementos entram no modelo e com que nível de detalhe, e que informação não geométrica cada elemento precisa carregar.
Definir isso por escrito, elemento a elemento, é o que separa um contrato de modelagem que termina em aceite de um que termina em rodadas de revisão sem critério de parada. É também o assunto do artigo sobre LOD 200 e LOD 300, que trata de como transformar essa expectativa em matriz verificável.
Antes disso, porém, vem uma escolha anterior: se o que o projeto precisa é a nuvem registrada, a documentação 2D ou o modelo BIM. Contratar apenas o escaneamento sem ter quem manipule nuvem produz um arquivo pesado que ninguém abre, e é uma das formas mais comuns de desperdiçar um bom levantamento. A diferença entre registrar o existente e documentar o executado está detalhada em as-is ou as-built.

O que define prazo e preço
Um levantamento pode ser entregue em coordenadas locais, arbitradas para aquele trabalho, ou amarrado a um sistema de referência oficial, como SIRGAS 2000 com projeção UTM.
Georreferenciar exige planejamento: implantação e rastreio de pontos de apoio por GNSS, definição do sistema, tratamento da diferença entre coordenada projetada e distância real de obra. Parte do trabalho é executada em campo, junto com o escaneamento, e por isso precisa ser decidida antes da mobilização. Amarrar depois costuma significar voltar ao local, e sai mais caro do que teria sido fazer de início.
O esforço se justifica quando o levantamento será integrado a topografia, infraestrutura ou base cartográfica; quando o trabalho será executado em campanhas separadas por meses e as partes precisarão se encaixar; quando a área é extensa e a nuvem precisará ser fracionada em blocos; quando houver combinação de terrestre com aerolevantamento; ou quando o modelo alimentará gestão de ativos.
As condições de campo pertencem ao mesmo grupo de decisões. Horário de acesso, necessidade de acompanhamento, áreas restritas, exigências de segurança, energia disponível e responsabilidade pela desobstrução prévia não são detalhes operacionais: são premissas de prazo e de preço. Equipe mobilizada e ambiente ocupado é a forma mais cara de perder um dia de campo.
Como o preço é formado
A composição de custo se organiza em três blocos, e entender isso ajuda a comparar propostas que parecem diferentes apenas no número final.
Mobilização. Deslocamento de equipe e equipamento, hospedagem, diárias, seguro. É custo praticamente fixo por campanha, e por isso trabalhos pequenos e distantes têm custo por metro quadrado desproporcionalmente alto. É também o motivo de existir valor mínimo de contratação.
Levantamento em campo. Medido em dias de equipe, não em metros quadrados. A produtividade responde ao número de estações necessárias, que depende da compartimentação, do pé-direito, do nível de obstrução e da janela de acesso disponível.
Escritório. Registro e limpeza da nuvem, desenho ou modelagem, produção da documentação. É a parcela que mais varia, porque responde diretamente ao nível de detalhe contratado.
O que encarece, em ordem de impacto: ambientes muito compartimentados; execução noturna ou em janelas curtas; necessidade de acompanhamento permanente; alto nível de obstrução; detalhamento fino no modelo; prospecção de elementos ocultos; e prazo comprimido, que obriga a alocar mais de uma equipe simultaneamente.
Uma proposta que não responde aos pontos abaixo está transferindo risco para a execução, onde ele custa mais caro:
delimitação física do escopo, com o que fica de fora declarado;
elementos ocultos: o que será prospectado, por quem, e o que será registrado como não levantado;
tecnologia, acurácia pretendida e como ela será verificada;
entregáveis, formato e versão de software (modelo salvo em versão superior à do cliente não abre);
matriz de escopo de modelagem, com nível de detalhe e tolerância em relação à nuvem;
sistema de coordenadas e nível de referência;
condições de acesso e responsabilidade pela liberação dos ambientes;
prazos separados por etapa, campo e escritório;
critério de aceite e número de rodadas de revisão incluídas;
relatório de registro da nuvem, com os erros obtidos, que é o que permite auditar a qualidade do trabalho.
Escanear é a parte mais visível do processo e, tecnicamente, a mais simples. O que determina se o investimento vira projeto é o que acontece depois: como a nuvem é registrada, com que critério é interpretada, como vira documentação e como essa documentação chega ao ambiente em que o projeto será desenvolvido.
Por isso a conversa de contratação precisa começar pelo fim. Não por qual equipamento será usado, mas por qual decisão de projeto vai depender daquele dado.
Tem um levantamento para contratar e ainda não fechou esses pontos? Solicite uma conversa técnica de 30 minutos. Quem responde é um arquiteto.
O que o laser registra, e o que não registra
Terrestre, SLAM ou aéreo: o critério é a tolerância
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O que define prazo e preço
Serviços
Setores
Captura da realidade por arquitetos, para quem projeta. Laser scanner 3D, drone LiDAR, modelagem BIM e documentação técnica.
Bases operacionais:
São Paulo · Minas Gerais · Bahia · Pernambuco. Atendemos projetos em todo o Brasil.
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